Rogério Vargas

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Minha história muitas pessoas já conhecem, mas hoje quero contar um pouco mais sobre o que existe por trás de quem vocês veem trabalhando com comunicação.
Comecei a falar somente depois dos 6 anos. Lembro da minha mãe procurando especialistas para entender o que eu tinha. Graças a uma professora, fui encaminhado para uma fonoaudióloga e começou uma longa caminhada.
Desde criança, tive dificuldades para pronunciar algumas palavras, principalmente as que tinham o som do “R”. Por causa disso, sofri bullying. Mesmo assim, nunca deixei que isso me impedisse de seguir em frente.
Na adolescência, descobri que era autista. Naquela época, pouco se falava sobre autismo. Por vergonha e medo do preconceito, guardei esse segredo por muitosanos e só falei sobre isso na vida adulta.
Depois de me formar como técnico em Agricultura, a vida me levou para a educação. Tornei-me professor e trabalhei com informática, inglês e espanhol.
Durante a pandemia, comecei a atuar como ADM do Viamão 24 Horas. O que começou como uma oportunidade se transformou em algo muito maior. Hoje, tenho orgulho de ter ajudado a transformar o Viamão 24 Horas em um dos grandes canais de comunicação da
região metropolitana.
Meu pai foi jornalista e radialista e sempre dizia que eu tinha potencial para seguir no jornalismo. Ele sabia da minha vergonha de falar, mas acreditava que eu conseguiria. E ele estava certo.
Hoje sou jornalista, comunicador e administrador de uma página que alcança milhares de pessoas. Continuo falando, mesmo com algumas palavras ainda difíceis.
Sou casado há 17 anos, sou feliz e nunca deixei que minha dificuldade de fala definisse quem eu sou.
O que ainda me entristece é ver pessoas, inclusive algumas que se dizem jornalistas, fazendo piadas com a minha dificuldade. Tenho vergonha de quem precisa rir de um problema sério para tentar aparecer e de quem apoia esse comportamento.
Na adolescência, por causa do preconceito e das piadas, passei por momentos muito difíceis. Pensamentos ruins passaram pela minha cabeça. Mas eu continuei.
Hoje penso: ainda bem que não desisti.
Ser jornalista tendo dislalia e sendo neurodivergente me ensinou que comunicação não está apenas na pronúncia perfeita. Está na coragem de falar, na capacidade de ouvir, na vontade de informar e na responsabilidade de levar informação. Minha voz pode ter sido diferente desde criança, mas nunca deixou de ter algo para dizer.
Se a minha história puder inspirar uma criança que sofre bullying, um jovem que tem vergonha de ser diferente ou alguém que acredita que não realizará seus
sonhos, tudo já terá valido a pena.
Eu sou a prova de que uma dificuldade não determina o nosso futuro.
Eu tive dificuldades para falar.
Mas nunca tive dificuldade para sonhar.
Hoje continuo aqui, falando, trabalhando, aprendendo e fazendo jornalismo.
Porque ser diferente nunca me impediu de chegar onde eu queria.
Rogério Vargas

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