Saúdo a todos e começo este primeiro texto me apresentando e explicando qual será o foco desta coluna.
Sou ialorixá do Batuque do Rio Grande do Sul, uma religião de matriz africana e uma importante expressão da cultura afro-gaúcha. O Batuque foi construído a partir das tradições trazidas pelos povos africanos escravizados que chegaram ao Rio Grande do Sul,
entre eles, aqueles que foram submetidos ao trabalho nas charqueadas. Mesmo diante da violência, da escravidão e das tentativas de apagar suas culturas, esses povos conseguiram preservar conhecimentos, costumes, espiritualidade e ancestralidade, transmitindo-os de geração em geração.
É justamente sobre essa riqueza que quero falar. Quero deixar claro, desde o primeiro texto, que o objetivo desta coluna não é ensinar religião. Religião se aprende dentro dos terreiros, através da convivência, da orientação dos mais velhos, da experiência e da vivência com a comunidade. Cada terreiro possui seus fundamentos, suas tradições e seus segredos, que devem ser respeitados.
O objetivo desta coluna é desmistificar e mostrar o quanto as religiões de matriz africana são belas, ricas em cultura, história e ancestralidade.
Durante muito tempo, essas religiões foram apresentadas de maneira preconceituosa, cercadas por medo, estereótipos e desinformação. Muitas pessoas acabam conhecendo apenas aquilo que ouviram falar, sem nunca compreender a verdadeira dimensão cultural
e espiritual dessas tradições.
Quero falar sobre a nossa história, sobre os símbolos, os costumes, a ancestralidade e a importância de manter viva uma tradição que resistiu ao tempo. Não pretendo falar por todos os terreiros, nem colocar minha experiência como uma verdade absoluta. Quero
compartilhar conhecimento a partir da minha vivência como ialorixá e, acima de tudo, contribuir para que mais pessoas possam conhecer e respeitar aquilo que muitas
vezes é julgado sem ser compreendido.
Que esta coluna seja um espaço de informação, respeito e reflexão. Um lugar onde possamos falar de religião, cultura e ancestralidade sem preconceito.
Porque conhecer também é uma forma de respeitar.
Sejam todos bem-vindos.
Luiza de Bará




