Alfinetadas: A cidade da propaganda e dos buracos

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Tem cidade que vive de obras. Viamão, pelo visto, resolveu viver de vídeos. Enquanto as redes sociais exibem imagens bonitas, filtros bem escolhidos e discursos otimistas, basta sair do centro e percorrer alguns bairros para encontrar uma realidade que não cabe na edição de um vídeo institucional.
A pergunta que fica é simples: onde termina a propaganda e começa a cidade real?
Os moradores das comunidades mais afastadas conhecem bem essa resposta. Ruas esburacadas, estradas quase intransitáveis, iluminação precária, mato tomando conta dos espaços públicos e a sensação de abandono que cresce a cada chuva. O problema não
nasceu ontem, é verdade. Mas quem assume uma prefeitura também assume a responsabilidade de apresentar soluções, não apenas justificativas.
Curioso como alguns bairros parecem entrar no mapa apenas quando se aproxima uma eleição. Nessa época aparecem sorrisos, promessas, abraços, selfies e até caminhadas pelas ruas que, no restante do mandato, parecem invisíveis aos olhos do poder público. Depois das urnas fechadas, muitos moradores voltam a esperar… e esperar… e esperar.
Enquanto isso, quem precisa levar uma criança para a escola enfrenta lama. Quem depende do transporte público convive com atrasos e dificuldades. Comerciantes lutam para manter as portas abertas em meio à falta de infraestrutura. E o cidadão segue pagando seus impostos, esperando que eles retornem em serviços
de qualidade.
Governar exige mais do que produzir boas imagens. Exige ouvir a população, visitar as comunidades sem avisar antes, colocar os pés na realidade e entender
que uma cidade não se administra apenas pelas redes sociais.
Viamão merece planejamento, manutenção e respeito. Merece que todas as regiões sejam tratadas com a mesma importância, independentemente do CEP ou da quantidade de votos que possam render.
Porque o eleitor não precisa de maquiagem urbana. Precisa de ruas dignas, serviços funcionando e respostas concretas.
E fica a alfinetada da semana: as promessas costumam chegar de carro oficial, mas, para muitos moradores, o asfalto prometido continua chegando apenas na imaginação.
Até a próxima.
Lili Veneno
Onde a ironia encontra a verdade das ruas.

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